Historia
Na Freguesia de Bemposta, tal como acontece com muitas outras Freguesias de Portugal, não é possível estabelecer com precisão o momento da sua fundação, enquanto estabelecimento de pessoas de forma contínua e ininterrupta num determinado lugar. Existem várias ideologias que explicam essa fundação, mas não primam pelo rigor científico, logo não se podem registar para fazer a História da Freguesia.
O topónimo Bemposta é de origem antiquíssima, remonta aos tempos medievais, justifica-se pela excelente localização geográfica da Freguesia, estava «bem-posta». Consta que recebeu este nome por se situar no percurso da antiga via romana Bracara Augusta-Médida. Esta via romana teria passado pela área da Freguesia de Bemposta, seguindo o seguinte percurso: passaria pelo Semideiro, concelho da Chamusca, entraria em Bemposta por Vale de Lama, seguiria pela zona de Lagoa Grande, passaria por Água Branca, deixando a Freguesia e seguindo pelo Vale de Estrada e daqui por Monte Padrão, já no concelho de Ponte Sôr. Acrescenta-se ainda que, o termo Bemposta deriva do latim «bene posita», que traduzida para a nossa língua significa bem posta, bem posicionada, com boa vista.
Como foi afirmado, a presença humana remonta a épocas ancestrais, especialmente ao período de dominação romana, uma vez que este povo instalou-se nesta zona em busca do ouro que as águas do Tejo e dos seus afluentes forneciam.
A riqueza desta área do concelho de Abrantes, em caça, azeite, cortiça e argila cerâmica atraiu igualmente os mouros e, mais tarde, os cristãos, que por aqui passaram a dominar.
Conta-se mesmo que os árabes forravam os aros das portas das suas casas com o ouro que descobriam por estas bandas.
Pensa-se que a posição estratégica da zona foi aproveitada por D. Nuno Álvares Pereira, que terá pernoitado em Bemposta, junto com os seus homens, aquando da preparação da vitoriosa Batalha de Aljubarrota.
Apesar de se desconhecer a data exacta da criação da Freguesia de Bemposta, consta nos anais que a Bemposta existe desde 12 de Maio de 1563, então como Santa Maria Madalena da Bemposta (orago da Freguesia). Atesta-se assim a antiguidade da mesma, que contará pelo menos com 441 anos.
A abundância de caça foi um dos motivos que trouxe muitos nobres e reis para esta região, para a realização de cortejos de caça e montarias. Com essa finalidade, passou diversas vezes pela Bemposta o monarca D. João, De Boa Memória.
Em 1836, por decreto de 6 de Novembro.
A Freguesia foi desanexada do concelho de Abrantes e integrada no pequeno município de Ulme, o que descontentou muito a população local, já que Ulme ficava mais distante (a cinco léguas, enquanto Abrantes ficava a duas léguas) e as vias de acesso praticamente não existiam. Assim, os habitantes apresentaram à Câmara Municipal de Abrantes uma reclamação escrita, onde expuseram as desvantagens da desanexação. No entanto, em 1855, o concelho de Ulme foi extinto e Bemposta voltou a fazer parte de Abrantes.
Na segunda metade do século XIX (1868), o Padre Carvalho da Costa referiu-se a esta Freguesia como sendo uma terra rica em caça e em matas, detendo, então, sessenta vizinhos.
A paróquia de Bemposta esteve, inicialmente, dependente da Colegiada de São João Baptista de Abrantes. Hoje em dia pertence à diocese de Portalegre e Castelo Branco.
Tal como outras localidades do interior de Portugal, a Freguesia de Bemposta sempre teve como actividade dominante a agricultura, o que como acontecia noutras regiões do país não proporcionava o desenvolvimento da região. No entanto, esta localidade conheceu um amplo desenvolvimento aquando da instalação de uma rede ferroviária na sua sede. Com esta vieram novos postos de trabalho, novas vias de comunicação, alterando-se significativamente o nível de vida das pessoas aí residentes.
Nesta aprazível Freguesia, nasceu uma figura que marcou, por diversas razões, a região e o país: Dr. Manuel Rodrigues Júnior.
Este filho da terra nasceu em 1889 e destacou-se enquanto jurista, professor e político, chefiou por várias vezes o Ministério da Justiça. Foi professor de Direito na Universidade de Coimbra e fundador da Ordem dos Advogados. Depois da revolução de 28 de Maio de 1926, foi membro e vogal vitalício do Concelho de Estado. Publicou obras de índole jurídico-política, entre as quais A Indústria Mineira em Portugal (1912), O Estado Novo e as Suas Realizações (1934) e Problemas Sociais (1943). Falecido em 1946, fez muito pela sua terra natal, tendo sido ele um dos grandes responsáveis pela construção das três pontes que servem a Freguesia e pela edificação da Escola Primária, que ainda hoje tem o nome de Escola Primária Dr. Manoel Rodrigues. Esta figura ilustre é reconhecida por uma célebre frase que o eternizou: «Cada vida continua uma vida passada e outra vida continuará a nossa». Em sua homenagem, foi erigido um busto na sede da Freguesia, no jardim Dr. Manuel Rodrigues.
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